
O rapaz da foto ao lado, eu o conheci quando ele estava com 15 ou 16 anos. Após um episódio muito traumático - presenciou o assassinato de alguém que amava - começou a ficar estranho. Quando internou na enfermaria psiquiátrica não entendíamos uma frase sequer do que ele tentava nos dizer. Com o tratamento melhorou muito, mas aos 18 anos começou a usar drogas e a vida degringolou de novo ...
Lembro-me do quanto discutimos seu caso e como era desafiante conseguir ajudá-lo. Ele acreditava que ao olhar para as mulheres, elas se apaixonavam por ele e engravidavam. Dizia ter muitos filhos. O desejo de levar leite e fraldas para esses bebês delirantes foi o que sustentou seu tratamento. Ele voltava para pegar fraldas e com isso aceitava a medicação, o atendimento, o cuidado...
Muito tempo se passou, fui embora para viver a experiência que conto em outra postagem. Quase dois anos depois voltei. O rapaz seguiu em tratamento. Nessa volta ele me encontrou. Muito doente de novo, agudizado, várias internações psiquiátricas na bagagem. Pergunto o que havia acontecido com ele. O rapaz me olha e diz: vc sumiu!
Bem, havia reaparecido e voltei a cuidar dele. Vinha para os atendimentos todo vestido de vermelho. Encarnava a Pombagira! Busquei a parceria de um Serviço de Atenção Diária. Uma Assistente Social e uma Psicóloga assumiram o trabalho. Fundamentais elas foram e são no caso!
Ele foi melhorando de novo. E pensar que foi considerado um caso perdido. Muitas pessoas não conseguiram perceber a ternura de seu olhar, a bondade por detrás de suas atitudes e o sofrimento de sua história. O rapaz tem um sorriso fenomenal e uma vontade de viver contagiante. É preciso entender que existe um sujeito na loucura para que tudo isso possa ser percebido.
Semana passada fui vê-lo se apresentar num show. Sim, é isso mesmo, hoje ele faz parte de uma banda performática e dança samba melhor do que muito malandro. Lindo, lindo. Que ginga tem o rapaz! A foto tirei com meu celular um pouco antes do show. E, além disso, ele está trabalhando. Falamos muito sobre como ele está feliz em ser trabalhador e artista.
O rapaz, um dia considerado caso perdido, ainda luta muito com sua doença, mas esta já não responde por tudo aquilo que ele é. O rapaz é muito mais do que um doente mental. É um filho preocupado com sua mãe e irmãos, um trabalhador e dançarino.
Sua bela negritute esguia sambando magistralmente no palco emociona e parece gritar para quem quiser ouvir: perdidos são todos aqueles que desistiram de acreditar em mim!
Lembro-me do quanto discutimos seu caso e como era desafiante conseguir ajudá-lo. Ele acreditava que ao olhar para as mulheres, elas se apaixonavam por ele e engravidavam. Dizia ter muitos filhos. O desejo de levar leite e fraldas para esses bebês delirantes foi o que sustentou seu tratamento. Ele voltava para pegar fraldas e com isso aceitava a medicação, o atendimento, o cuidado...
Muito tempo se passou, fui embora para viver a experiência que conto em outra postagem. Quase dois anos depois voltei. O rapaz seguiu em tratamento. Nessa volta ele me encontrou. Muito doente de novo, agudizado, várias internações psiquiátricas na bagagem. Pergunto o que havia acontecido com ele. O rapaz me olha e diz: vc sumiu!
Bem, havia reaparecido e voltei a cuidar dele. Vinha para os atendimentos todo vestido de vermelho. Encarnava a Pombagira! Busquei a parceria de um Serviço de Atenção Diária. Uma Assistente Social e uma Psicóloga assumiram o trabalho. Fundamentais elas foram e são no caso!
Ele foi melhorando de novo. E pensar que foi considerado um caso perdido. Muitas pessoas não conseguiram perceber a ternura de seu olhar, a bondade por detrás de suas atitudes e o sofrimento de sua história. O rapaz tem um sorriso fenomenal e uma vontade de viver contagiante. É preciso entender que existe um sujeito na loucura para que tudo isso possa ser percebido.
Semana passada fui vê-lo se apresentar num show. Sim, é isso mesmo, hoje ele faz parte de uma banda performática e dança samba melhor do que muito malandro. Lindo, lindo. Que ginga tem o rapaz! A foto tirei com meu celular um pouco antes do show. E, além disso, ele está trabalhando. Falamos muito sobre como ele está feliz em ser trabalhador e artista.
O rapaz, um dia considerado caso perdido, ainda luta muito com sua doença, mas esta já não responde por tudo aquilo que ele é. O rapaz é muito mais do que um doente mental. É um filho preocupado com sua mãe e irmãos, um trabalhador e dançarino.
Sua bela negritute esguia sambando magistralmente no palco emociona e parece gritar para quem quiser ouvir: perdidos são todos aqueles que desistiram de acreditar em mim!