quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Marcas ...

"Certo dia ela entrou na faculdade... Estudou medicina e se formou encantada com a proposta de ser psiquiatra e trabalhar pela inclusão social. Acreditava que sua motivação vinha de sua trajetória política... Um dia, enquanto estudava, se deparou com critérios diagnósticos de um certo transtorno mental ... E encontrou naquele escrito as características de seu pai. Ela adorava seu pai, mas suas manias exageradas a irritavam. Entendeu ali que tinha um pai diferente... Compreendeu que, de fato, a política cedia sua preponderância à influência de seu pai. Escolhera a psiquiatria por causa dele. Seu pai era difícil, muito difícil, mas cuidava dela. Nunca declinou da sua função paterna. Seu funcionamento complexo, com frequencia, camuflava a dificuldade com ações reveladoras de uma bondade profunda e de um grande senso de responsabilidade. Seu pai também era adorável. Ele deixou marcas fortes em sua vida, especialmente em seu trabalho. Ela cuida de seus pacientes, eles gostam dela. Cada um deles é um pouco seu pai... Faz pouco tempo que ele se foi. E ela sofre. Sente saudades! Até das manias dele que tanto a enlouqueciam! Envolvida nessa inominável dor, de repente ela se encontra com uma certeza: as marcas que ele deixou não se foram com ele. Permanecem vivas e pulsantes. Ela sente que seguirá contando as histórias de seu pai, que ainda irá gargalhar muito lembrando das piadas dele, que continuará com suas próprias manias as quais, claro, aprendeu com ele. Acima de tudo, ela descobre que sabe que enquanto cuidar de seus pacientes seu pai estará com ela... No carinho, na atenção, no afeto, na responsabilidade e na seriedade com que exerce seu trabalho. Influência e herança dele… Sim, ela sabe ... E, dessa forma, a dor segue doendo, mas encontra colo na certeza … Sim, ela sabe... Eu sei!"

4 comentários:

Luciane disse...

Patricia,
Você foi abençoada com um pai maravilhoso e a intensidade da saudade é o resultado disso. Ele sempre estará em cada momento do seu trabalho e do seu ser! E que bom que vocês puderam viver tantos momentos juntos. Tenho certeza que ele se orgulhava bastante de você, ele adorava você e nunca vai deixar de existir em você.
Força e luz para você, amiga, nesses tempos de saudade e dor sem tamanho.
beijos,
Luciane

Márcia Haydée disse...

Fomos filhas incríveis e você foi A filha maravilhosa. Tenha certeza disso.
Ele sempre estará com a gente e a gente sempre estará com ele.
E assim sempre estaremos as três juntas, com ele em nós... isso conforta, não é?
Saudade, saudade, saudade...
...acho que será assim pra sempre...
Te amo, irmã!!!

Mônica disse...

Querida irmã Pat,
Somente hoje tive coragem de ler sua postagem.
Ainda dói muito, dói estranho, diferente quando é da gente. Muito diferente, inimaginável, indefinível!
Amanhã faz um mês...
A marca que fica em nós é a de um caráter reto, do bem, bondade muita, amizade sincera, responsabilidade e outras tantas coisas que a gente já sabe...
É isso aí, minha irmã. A vida é assim mesmo, cheia de coisas que a gente não programou e que tem que encarar de frente, sem anestesia.
Saudade, saudade, saudade... Fazer o quê?
Também te amo.
Beijos,
Mônica.

Moisés Oliveira disse...

Patricia,
Sei como se sente.
Um grande abraço,
Moisés Oliveira