Acabei a compilação dos dados da minha pesquisa sobre o impacto da novela Caminho das Índias no estigma contra pessoas com esquizofrenia. Agora o trabalho será elaborar tudo para um artigo. 225 pessoas responderam o questionário online e 205 foram os válidos. 98 pessoas declararam ter preconceito contra pessoas com transtorno mental e 86 delas disseram que a novela as ajudou a diminuir seu preconceito. A relevância maior , apontada como o que mais impactou os 86 respondentes, ficou para o amor entre Tarso e Tônia ... Numa outra postagem eu citei Goffman e a sua proposição sobre um dos elementos geradores do estigma ser a crença de que o sujeito estigmatizado não é humano! Começo minha elaboração pensando que Tônia amar Tarso e este amar Tônia apontou justamente para a humanidade do esquizofrênico, visto ser o amor homem mulher algo possível somente entre os humanos. Imagino que isso pode desestabilizado, como discute Goffman, a desumanização do diferente incidindo justo num dos elementos que geram e fortalecem o estigma. Ainda há muito a analisar, mas os resultados prometem belas discussões. Ao trabalho!
Esse blog se destina a ser um espaço no qual posso defender as idéias em que acredito e falar dos sonhos que me acompanham. Um desses sonhos é viver numa sociedade que respeite a diferença. Sejam bem-vindos!!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Minha Pesquisa
Acabei a compilação dos dados da minha pesquisa sobre o impacto da novela Caminho das Índias no estigma contra pessoas com esquizofrenia. Agora o trabalho será elaborar tudo para um artigo. 225 pessoas responderam o questionário online e 205 foram os válidos. 98 pessoas declararam ter preconceito contra pessoas com transtorno mental e 86 delas disseram que a novela as ajudou a diminuir seu preconceito. A relevância maior , apontada como o que mais impactou os 86 respondentes, ficou para o amor entre Tarso e Tônia ... Numa outra postagem eu citei Goffman e a sua proposição sobre um dos elementos geradores do estigma ser a crença de que o sujeito estigmatizado não é humano! Começo minha elaboração pensando que Tônia amar Tarso e este amar Tônia apontou justamente para a humanidade do esquizofrênico, visto ser o amor homem mulher algo possível somente entre os humanos. Imagino que isso pode desestabilizado, como discute Goffman, a desumanização do diferente incidindo justo num dos elementos que geram e fortalecem o estigma. Ainda há muito a analisar, mas os resultados prometem belas discussões. Ao trabalho!
domingo, 11 de abril de 2010
Que Ternura!
Vejam a ternura de minha sobrinha recebendo a irmã recém-nascida! São momentos como esse que fazem a vida valer a pena!!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Marcas ...
"Certo dia ela entrou na faculdade... Estudou medicina e se formou encantada com a proposta de ser psiquiatra e trabalhar pela inclusão social. Acreditava que sua motivação vinha de sua trajetória política... Um dia, enquanto estudava, se deparou com critérios diagnósticos de um certo transtorno mental ... E encontrou naquele escrito as características de seu pai. Ela adorava seu pai, mas suas manias exageradas a irritavam. Entendeu ali que tinha um pai diferente... Compreendeu que, de fato, a política cedia sua preponderância à influência de seu pai. Escolhera a psiquiatria por causa dele. Seu pai era difícil, muito difícil, mas cuidava dela. Nunca declinou da sua função paterna. Seu funcionamento complexo, com frequencia, camuflava a dificuldade com ações reveladoras de uma bondade profunda e de um grande senso de responsabilidade. Seu pai também era adorável. Ele deixou marcas fortes em sua vida, especialmente em seu trabalho. Ela cuida de seus pacientes, eles gostam dela. Cada um deles é um pouco seu pai... Faz pouco tempo que ele se foi. E ela sofre. Sente saudades! Até das manias dele que tanto a enlouqueciam! Envolvida nessa inominável dor, de repente ela se encontra com uma certeza: as marcas que ele deixou não se foram com ele. Permanecem vivas e pulsantes. Ela sente que seguirá contando as histórias de seu pai, que ainda irá gargalhar muito lembrando das piadas dele, que continuará com suas próprias manias as quais, claro, aprendeu com ele. Acima de tudo, ela descobre que sabe que enquanto cuidar de seus pacientes seu pai estará com ela... No carinho, na atenção, no afeto, na responsabilidade e na seriedade com que exerce seu trabalho. Influência e herança dele… Sim, ela sabe ... E, dessa forma, a dor segue doendo, mas encontra colo na certeza … Sim, ela sabe... Eu sei!"
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Fênix
sábado, 19 de dezembro de 2009
É isso aí, 2010 bate na porta e quer entrar... Que ele traga energia positiva, esperança e sucesso!
domingo, 29 de novembro de 2009
Tudo se Resolve com Pílulas?
Nos primeiros dias a angústia tomou conta de mim, pois via na maioria das pessoas que atendia os equívocos contra os quais sempre lutei enquanto gestora... Pacientes medicados sem necessidade, buscando na psiquiatria a resolução medicamentosa dos problemas cotidianos... Pessoas com os mesmos problemas há sete, dez, vinte anos e TOMANDO MEDICAÇÃO. Dinheiro público jogado fora, pois a medicação só faz a função de tamponar as questões e dar uma certa idéia de que existe a "pílula da felicidade". Quando acaba o seu efeito está na hora de tomar a outra dose e assim vai...
Fico intrigada com meus colegas psiquiatras, alguns com bons relatos nos prontuários, pareciam ter escutado os pacientes, mas se resignavam diante de seus discursos de que depois de tanto tempo já não podiam viver sem medicação... Essa resignação produz cronificação e uma legião de dependentes químicos de benzodiazepínicos nos ambulatórios públicos... A gestora que ainda há em mim urge por mudanças embalada pelo compromisso da psiquiatra que quer proporcionar um tratamento efetivo para aquelas pessoas... Estou no começo, mas já conseguimos organizar um grupo terapêutico para os pacientes medicalizados há longa data... Alguns reclamam... Com muita conversa, aceitam a proposta...
Lembro-me da Sra V que veio para a consulta acompanhada do marido. Há mais ou menos oito anos usa imipramina e clonazepan. Muito bem arrumada, unhas feitas, cabelos alinhados não vi nela traços de depressão ou distúrbio de ansiedade que justificassem o uso do remédio. Contou-me fatos tristes de sua vida, falou dos problemas em casa... Ainda assim, nada que caracterizasse ou que já tivesse caracterizado uma doença mental propriamente dita. Reagiu com raiva quando falei sobre redução gradual da medicação e entrada no grupo terapêutico. Como o marido me apoiou voltou-se contra ele e vociferou: Isso tudo Doutora tem a ver que esse bosta, que nem para aquilo serve, nem nunca serviu. Estão casados há muitos e muitos anos... Contando essa história para o meu amigo Edmar, também psiquiatra e piadista de carteirinha, ele me disse: Se era para dar remédio, a psiquiatria teria sido muito mais eficaz para a vida dessa senhora se tivesse dado viagra para o marido e não remédio para ela... Verdade verdadeira!! A pílula da felicidade não existe e dar remédio para resolver o que não pode ser resolvido com medicação não traz qualquer felicidade. A minha categoria profissional precisa acreditar mais nisso e assim promover tratamento de qualidade, com respeito ao dinheiro público!
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Gente Humilde
Oeiras é uma cidade linda, marcada pela produção artística, literária e famosa pelo seu Festival de Cultura do qual participamos. Andando por lá me chamou a atenção o clima pacato, a lentidão, os longos bate- papos nas calçadas sem pressa de acabar... Um ritmo tão diferente da metrópole Rio de Janeiro na qual nasci, amo e vivo. Mesmo em pleno Festival de Cultura tudo era calmo. Interessante como a subjetividade da gente tem ritmo... Acho que jamais me adaptaria àquele ritmo e talvez os Oeirenses nunca se adaptassem ao ritmo daqui do Rio... Apesar dessa constatação, confesso que senti uma pequena, leve inveja da tranquilidade daquele povo, de uma relação com a vida marcada pela capacidade de saber esperar... Via as cadeiras na calçada e me lembrava imediatamente da música Gente Humilde do Chico Buarque. Queria entender como eles conseguiam ser assim ... Sei que a vida lá não é só uma feliz tranquilidade, afinal há lugar no mundo onde tenhamos só felicidade? De qualquer forma havia alegria sim, um orgulho Oierense / Piauiense, um valor grande dado às tradições locais e à conversa frente a frente.... Internet, televisão fazem parte da vida da cidade, mas mesmo com elas as cadeiras continuam na calçada. Pensando nisso me deparei com a seguinte cena que gerou a foto acima clicada pelo meu amigo Moisés: uma calçada, três cadeiras de adultos e uma de criança ... Aí eu entendi tudo... A conversa na calçada é tradição de pai para filho e por isso se perpetua... Faz parte da cultura! Eles conseguem manter isso porque se importam em transmitir a experiência, o valor da palavra e da vida de "conversador"... Bonito, não é?
Não quero mudar meu ritmo carioca, pois como já disse ele sou eu, mas gostaria de ter e ver minha cidade, meus conterrâneos, minhas crianças pelo menos um pouco impregnadas do ritmo "converseiro" da gente humilde de Oeiras... Se geraria felicidade eu não sei, mas que traria uma maior ligação entre os sujeitos isso traria... Hoje se fala muito mais por Orkut, facebook, email do que pessoalmente ... Nem conhecemos o vizinho ao lado... Dizem que as cidades grandes têm muito mais para ensinar às cidades pequenas... Mentira! As cidades pequenas também têm muito o que ensinar. Oeiras me deu uma lição!
Gente Humilde - Chico Buarque
Composição: Garoto, Chico Buarque e Vinicius de Moraes
Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a tudo
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar
Eta Brasil Diversidade
terça-feira, 13 de outubro de 2009
É Preciso arrancar Alegrias ao Futuro
Para manter uma postura de esperança diante da vida, de crença na possibilidade de mudança, de luta pela inclusão de todos e transformação de corações e mentes é realmente preciso, como diz o poeta, acreditar em "arrancar alegrias ao futuro".
Maikóvski não conseguiu esperar o futuro ... Foi-se cedo demais... Contudo, deixou suas palavras que desnudam, ao mesmo tempo, a crueza da vida e a suavidade da esperança... Hoje acordei bebendo nelas e aqui divido com vocês!
“Por enquanto / há escória de sobra. / O tempo é escasso mãos à obra. / Primeiro / é preciso / transformar a vida, para cantá-la / em seguida. / Para o júbilo / o planeta / está imaturo. / É preciso/ arrancar alegria ao futuro. / Nesta vida / morrer não é difícil. / O difícil / é a vida e seu ofício”.
"Dedução : Não acabarão nunca com o amor, nem as rusgas, nem a distância. Está provado, pensado, verificado. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente"
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
"Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coração"
sábado, 3 de outubro de 2009
O Analista Urbano
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Gestando Sonhos
ixei as armas também... Ambos nos rendemos à impossibilidade dos atravancamentos burocráticos, mas teimosos por natureza ainda acreditamos no sonho da Reforma Psiquiátrica. quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Os Encantos da Maluquice
Andando pela Lapa de bar em bar com meus amigos Edmar e Chico Regueira, nos deparamos com a seguinte cena: um bar minúsculo, um microfone, uma guitarra e dois cidadãos fazendo um show para uma MULTIDÃO de TRÊS pessoas. Com a nossa chegada ficou mais lotado com SETE pessoas... Havia uma magia ali que nos encantou de imediato... Para Ribamar o guitarrista e sua estrela cantora parecíamos ser o maracanãzinho lotado. Tocavam e cantavam plenos de orgulho e sentindo-se celebridades. Havia uma felicidade verdadeira em suas faces, em seus movimentos, em suas músicas bregas, não tão bem cantadas assim... Isso não importava, se apresentavam como genuínos artistas. Ribamar diz que morou na França, quando perguntei em qual local ele se enrolou, disse que só o antigo empresário sabia...
Meu amigo Chico quis cantar e Ribamar deixou... Generoso dividiu sua glória com Chico! Olhando para Ribamar eu me lembrei de muitos pacientes que tratei e que no encontro com essas expressões de arte na rua, acabaram dando certo, do seu jeito... Às vezes um pouco de loucura é bom, inconsciente a céu aberto, menos recalque... Eu naquele palco - se soubesse cantar- me sentiria a última das mortais por ter uma platéia tão minúscula... Ribamar não, se sentia e se portava como Roberto Carlos, o Rei... Convenhamos que tirando o sofrimento da loucura, vale a pena ser um pouco louco! Nós nos divertimos demais com o Rei Ribamar! Ele é show!
sábado, 15 de agosto de 2009
Pesquisa Estigma
Na reta final da novela comecei minha pesquisa sobre o impacto das histórias de Tarso e Ademir no estigma contra pessoas que sofrem com transtornos mentais. Entre no blog da Glória Perez - http://gloriafperez.blogspot.com/ - e lá procure o link para o site da pesquisa. Por favor, participe se você for espectador assíduo da novela, se não tiver parentes de primeiro grau com doença mental e se não for profissional de saúde mental! Espero você por lá!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Mais louco é quem me diz ... E quem não é solidário





