Esse blog se destina a ser um espaço no qual posso defender as idéias em que acredito e falar dos sonhos que me acompanham. Um desses sonhos é viver numa sociedade que respeite a diferença. Sejam bem-vindos!!
sábado, 3 de outubro de 2009
O Analista Urbano
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Gestando Sonhos
ixei as armas também... Ambos nos rendemos à impossibilidade dos atravancamentos burocráticos, mas teimosos por natureza ainda acreditamos no sonho da Reforma Psiquiátrica. quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Os Encantos da Maluquice
Andando pela Lapa de bar em bar com meus amigos Edmar e Chico Regueira, nos deparamos com a seguinte cena: um bar minúsculo, um microfone, uma guitarra e dois cidadãos fazendo um show para uma MULTIDÃO de TRÊS pessoas. Com a nossa chegada ficou mais lotado com SETE pessoas... Havia uma magia ali que nos encantou de imediato... Para Ribamar o guitarrista e sua estrela cantora parecíamos ser o maracanãzinho lotado. Tocavam e cantavam plenos de orgulho e sentindo-se celebridades. Havia uma felicidade verdadeira em suas faces, em seus movimentos, em suas músicas bregas, não tão bem cantadas assim... Isso não importava, se apresentavam como genuínos artistas. Ribamar diz que morou na França, quando perguntei em qual local ele se enrolou, disse que só o antigo empresário sabia...
Meu amigo Chico quis cantar e Ribamar deixou... Generoso dividiu sua glória com Chico! Olhando para Ribamar eu me lembrei de muitos pacientes que tratei e que no encontro com essas expressões de arte na rua, acabaram dando certo, do seu jeito... Às vezes um pouco de loucura é bom, inconsciente a céu aberto, menos recalque... Eu naquele palco - se soubesse cantar- me sentiria a última das mortais por ter uma platéia tão minúscula... Ribamar não, se sentia e se portava como Roberto Carlos, o Rei... Convenhamos que tirando o sofrimento da loucura, vale a pena ser um pouco louco! Nós nos divertimos demais com o Rei Ribamar! Ele é show!
sábado, 15 de agosto de 2009
Pesquisa Estigma
Na reta final da novela comecei minha pesquisa sobre o impacto das histórias de Tarso e Ademir no estigma contra pessoas que sofrem com transtornos mentais. Entre no blog da Glória Perez - http://gloriafperez.blogspot.com/ - e lá procure o link para o site da pesquisa. Por favor, participe se você for espectador assíduo da novela, se não tiver parentes de primeiro grau com doença mental e se não for profissional de saúde mental! Espero você por lá!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Mais louco é quem me diz ... E quem não é solidário

quinta-feira, 14 de maio de 2009
A Menina que Gosta da Rua
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O que sei é que a menina se recusou a morrer de fato... Morreu no desejo da mãe e isso é uma morte sem dúvida, mas viveu como pôde se encontrando com os desejos projetados na vida das ruas ... Na rua se formou . .. Conhece tudo por onde anda. Escolheu as praias da Zona Sul para estar ... E enlouqueceu ... Delirantemente diz-se filha de Deus designada para morar na rua. Faleceu no desejo da mãe, mas renasceu no delírio como filha de Deus. Como uma vez li de uma poeta paciente: Às vezes a dor não tem alívio, é só delírio! E no delírio a menina editou uma nova história para sua origem...
Tratei dela por muito tempo. Descobri que qualquer sucesso só seria possível indo para a rua com ela. E eu fui. Fizemos parceria com um abrigo e ela foi melhorando. Com o tempo já conseguia passar o dia na rua e voltar à noite para o abrigo. Um dia viajei e fiquei quatro anos sem vê-la. Ficou sendo bem cuidada por outras pessoas. Hoje ela está com 21 anos. Soube outro dia que estava internada compulsoriamente numa enfermaria psiquiátrica. Encontrava-se sem sintomas agudos e sentia saudade da rua. Ameaçava fugir... Fui buscá-la para vir morar numa moradia assistida e ter portas abertas para ir e vir. A menina fala de como precisa da rua, de uma forma visceral ... A rua é como se fosse ela mesma... Abrir mão de estar na rua é abrir mão de viver. Sair da rua é morrer. A vida está na rua. E ela faz sintomas clínicos: dispnéia, taquicardia... É um sofrimento atroz... Trabalhar com ela exige entender que precisamos deixá-la ir e só assim conseguir que ela volte.
Nada tem de fácil esse entendimento... Aliás desisti de fazer promotores e juízes entenderem. Só o contato com ela favorece alguma compreensão. E a menina parece saber disso: Deixa eu ir falar com a Juíza, eu explico para ela!
Agora a menina está nas ruas de novo. Não quis ficar na casa que eu lhe arrumei. Prometeu-me que vai voltar. Passo pelas praias na esperança de encontrá-la. Já tivemos desses encontros no passado. Essas conexões muitas vezes acontecem com os pacientes psicóticos. A menina já me encontrou de madrugada andando na praia de Copacabana na volta de um show, num restaurante no Leme ... Irei encontrá-la de novo...
Atender pessoas como ela exige uma quebra radical de paradigmas, uma abertura profunda para abraçar a intensidade de sua diferença e uma responsabilidade grande, mas sem medo do risco. A menina nos pede isso.
Quando estava longe tive um sonho com ela. No avião, indo para o país no qual morei por um ano e meio, de repente olhei para o lado e a vi. Surpresa disse que ela não poderia estar ali, que eu estava indo para longe e perguntei como ela havia entrado no avião. Ela sorriu e me disse: Eu vim na sua mala, Patrícia...
A menina que gosta da rua continua na minha mala subjetiva profissional... Ela me ensinou muito do que sei sobre psicose e muito do que eu não sei... Acredito que ela irá voltar, pois ela sabe que entendo o quanto ela necessita da rua e que a deixarei ir sempre que precisar ... Essa crença, ainda que angustiada, é o que me faz suportar a espera por um um novo encontro!
domingo, 26 de abril de 2009
Caminhos que "Desestigmatizam"?
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Dogmas, Diferenças e a Reforma Psiquiátrica
DOGMA é uma crença / doutrina imposta que não admite contestação. São afirmações absolutas que não permitem discussão, um conjunto sistemático de representações, normas ou regras que indicam ou prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar. Também indica o que esses membros devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e fazer (wikipédia – enciclopédia livre online). Portanto, dogmas são inimigos da diferença. Para os dogmáticos quem pensa diferente ocupa um lugar oposto no front da guerra e, como inimigo, deve ser eliminado.Uma das experiências mais fortes da minha vida aconteceu durante o um ano e meio em que morei nos EUA, como já contei em outra postagem, convivendo com pessoas de diferentes países. Uma amiga da Palestina um dia conversou comigo por mais de duas horas. Ao final da conversa, com os olhos marejados de lágrimas, me agradeceu por tê-la ouvido sem julgá-la. Minha amiga me contou sobre sua dor, sobre seu ódio dos Israelenses, sobre as experiências dolorosas que viveu. Demonstrou submeter-se a um dogma e acreditava totalmente que o conflito do Oriente Médio jamais terá fim, pois não há possibilidade de os Palestinos ou os Israelenses abrirem mão de suas teses sobre a terra prometida. Não há mudança possível, para ambos os lados, segundo minha amiga. E o ódio se dá, pois um povo contesta o dogma do outro.
O que me permitiu ouvi-la contar tantas atrocidades por tanto tempo foi perceber que ela era alguém doce, especial, engajada, inteligente, mas tomada, dominada por um dogma. Incapaz de abrir mão dele, sem sentir-se traindo seus pais, seu povo e a si mesma. E sofrendo demasiadamente com isso, pois no fundo ela sabia que havia algum equívoco naquilo tudo. O ódio havia se tornado uma questão ética e política naquele contexto. Minha amiga me emocionou e talvez eu jamais consiga transmitir para ela, o que essa conversa produziu em mim. Até hoje nos escrevemos de vez em quando ...
Tendo sido militante política de um grupo de esquerda construí-me numa ideologia muitas vezes sectária. Ainda acredito na esquerda, nos ideais socialistas, mas minha experiência com gente de tantos países diferentes e, em especial, com minha amiga Palestina me fez entender que o sectarismo só serve à política do ódio. Uma estratégia nada revolucionária de propagação do horror e da destruição. Sendo, hoje, uma militante da reforma psiquiátrica e uma engajada em projetos de inclusão social para os diferentes, vejo e sinto no quanto minha amiga me ajudou.
Domingo passado Ferreira Gullar escreveu contra a lei 10.216, a lei que legitimou a reforma psiquiátrica no Brasil, propondo o fim dos manicômios e abertura de serviços substitutivos como os CAPS. O poeta é contra a lei, pede a revogação dela, tem dois filhos esquizofrênicos, diz que a lei dificulta o tratamento de seus filhos e quer a volta da internação como prioridade. O Poeta foi duro... Contudo, a resposta de vários colegas do meu campo de trabalho foi para mim por demais dolorosa de ler... Ataques ao Poeta com uma dureza maior ainda... Será que o Poeta não pode pensar diferente? Será que todos têm que concordar com a lei 10.216 para serem aceitos? Será que devemos responder à dor de um pai com a mesma dureza com que a sua dor se fez revelar? Será que o nosso campo considera o ideário da reforma psiquiátrica como um dogma incontestável?
Fico pensando se os filhos do Poeta receberam a ajuda necessária de nós profissionais. Fico pensando em quantos familiares não partilham das idéias de Ferreira Gullar e se conseguiremos ganhá-los para o nosso modo de tratar fora de internação, com intensidade de cuidado nos CAPS. Imagino o quanto ainda temos que lutar para mostrar para a sociedade como um todo que a lei 10.216 é uma conquista fantástica e que nós precisamos dos familiares para conseguir mais avanços ainda na reforma psiquiátrica brasileira. Fico pensando na minha amiga Palestina e na sua dolorosa filiação a uma política do ódio. Não podemos responder à dor de um pai, ainda que reacionário na sua forma de pensar, com política do ódio. Isso vai de encontro ao essencial de nosso trabalho: a aceitação da diferença e o respeito a ela. Não temos que concordar com o Poeta, mas acolher sua forma de pensar como possível, abrir o diálogo, aceitar que nosso campo pode ter falhado com ele e propor alternativas. Novos orientes médios se fazem todos os dias quando dogmas se colocam como a forma de entender a vida .... Dogmas não entendem de vida, não respeitam a diferença...Eles produzem morte e devastação!
sábado, 11 de abril de 2009
Não há Mocinhos nem Vilões

Hoje saiu na Veja online uma matéria do Marcelo Marthe criticando a novela das oito por demonizar os pais, através das histórias do Zeca e do Tarso... Uma amiga me enviou o link. Com todo respeito às opiniões diferentes, permito-me discordar e discorrer sobre isso... O título da matéria do Marcelo é "Família é a Vilã". Pretendo aqui discutir que, no que tange à loucura, não há necessariamente mocinhos nem vilões.
Tudo o que somos tem a ver com o que vivemos e nos identificamos subjetivamente ao longo da vida. Assim, somos o que fizemos daquilo que fizeram conosco. Nossas relações com tudo e todos e, significantemente com nossos pais, têm fundamental importância em nosso amadurecimento emocional.
A novela Caminho das Índias com seus personagens Zeca e Tarso em nada pretende demonizar pais, mas suscitar reflexões. Como já escrevi em outra postagem, acredito que vivemos numa época de falência do processo civilizatório, o qual pretende controlar os instintos de todos os homens. Zeca revela uma família que o cria sem limites, mas uma escola que também mostra suas dificuldades ao não conseguir produzir nele e em seus pais uma mudança de posição. A falência é de todos e a denúncia interessa para que possamos pensar.
Agora enfocando principalmente o personagem Tarso, digo que seu quadro de esquizofrenia não pretende apontar que a loucura é causada pela família. O próprio Tarso demonstrou sua impossibilidade de sair do controle dos pais. Sua irmã Inês encontrou um caminho, ainda que bizarro. Ele não. O sujeito tem a ver com sua própria loucura, assim como esta tem conexões com aquilo que vivenciamos com nossos pais, amigos, projetos, amores. As causas da esquizofrenia ainda não foram totalmente elucidadas. Supomos tratar-se não de uma doença única, mas de uma síndrome com diferentes etiologias. Um modelo explicatório aposta em determinantes biológicos, emocionais e sociais. Melissa e Ramiro, pais de Tarso, contribuíram com suas pressões para a loucura do filho, mas não foram seus causadores. Eles amam o Tarso e nunca quiseram seu mal. Apenas não levaram em conta os desejos do filho e não avaliaram as conseqüências de suas estranhas formas de amar. Muitos pais fazem isso e a novela serve de alerta. Isso esclarece e não demoniza!
Um contraponto importante vem da família de Ademir, o outro personagem que sofre de esquizofrenia. Sua mãe é extremamente participativa, compreende seu filho, o apóia em tudo e valoriza sua conquistas. Ainda assim, Ademir enlouqueceu... Outras questões provavelmente atravessaram seu caminho e o levaram a uma encruzilhada emocional e ao enlouquecimento. Portanto, a novela mostra diferentes processos e evidencia a multiplicidade de fatores envolvidos no desencadeamento de um quadro psicótico.
O maior objetivo de Glória Perez e de toda a equipe da novela é ajudar a diminuir o estigma contra aqueles que sofrem com esquizofrenia. Isso é um grande mérito. Glória se deixou tocar e sensibilizar por um tema bastante difícil. Demonizar quem quer que seja está longe de ser a proposta da trama, ela quer justamente o contrário... Humanizar os loucos, mostrar seu sofrimento e o de suas famílias, demonstrar o processo de enlouquecimento, enfatizar a possibilidade de recuperação pelo viés do tratamento e apontar as capacidades das pessoas que sofrem com transtorno mental.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Maldade não é Loucura

Contudo, no caso do Monstro da Áustria, a situação fica complexa quando a sentença de prisão perpétua deverá ser cumprida em uma instituição psiquiátrica. Esse homem que enclausurou a própria filha para submetê-la aos seus desejos e caprichos; que deixou um filho-neto morrer; que conseguiu burlar tudo e todos, talvez com a conivência da esposa, e teve sucesso em manter um confinamento por mais de duas décadas... Esse homem tem uma enorme capacidade de dissimulação, é pragmático, racional, sistemático, organizado, extremamente hábil e ignora a dor dos outros. Esse homem não é louco. Ele é mau, é perverso. Um psicótico não tem essa capacidade de articulação e pragmatismo, exatamente porque no momento da loucura ele está fora de si, dominado por sintomas. Muito difícil é que um louco consiga não mostrar que está louco. Uma psiquiatra que avaliou Josef Fritzl depôs sobre seu comportamento violento e perverso e não atestou doença mental. Ainda assim, esse homem irá cumprir pena numa instituição para doentes mentais.
O Monstro da Áustria não é um monstro, ele é um ser humano. Ele é mau, mas é humano. Seres humanos como ele e tantos outros demonstram a existência de um potencial terrível na condição humana. Como Freud diz, a pulsão de mais difícil controle é a pulsão perversa ... A civilização serviu para o controle das pulsões. Hoje em dia estamos em crise no que diz respeito a isso. Na pós- modernidade, as pulsões perversas estão encontrando muito pouco freio. Desumanizar Josef Fritzl ou mandá-lo para uma instituição psiquiátrica reforçando um imaginário social que associa maldade à loucura em nada ajuda a humanidade a encontrar nele um exemplo que exige muita, mas muita reflexão!
domingo, 15 de março de 2009
Quando a Loucura Quebra a Dor

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Poema Concreto
Esse é um poema concreto de Sônia Figueiredo ... Estávamos na mesa do almoço quando um colega artista chegou com um livro. De repente, um outro amigo me mostra esse poema totalmente impactado. Num primeiro momento não entendi, mas ele me sinalizou os sinais de positivo ... Captei tudo e também fiquei impactada.
O título é Racismo... A lei da física diz que os opostos se atraem ... Os iguais se estranham, se rechaçam ... Disso fala a poeta sem escrever uma palavra... O desenho é pleno de sentido. Toda discriminação é algo que acontece entre pessoas, entre seres humanos que não suportam as diferenças. Contudo, diferenças não apagam o que há de mais comum entre nós: a humanidade. Pretos, brancos, amarelos, loucos ou não somos todos diferentemente iguais! Desejo que um dia possamos subverter a lei da física, revolucionar a natureza através de uma transformação cultural que possibilite que a igualdade atraia!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
E Algo Começa a Acontecer...

Um dos meus pacientes, trabalhador e sambista, sobre o qual publiquei uma postagem mais abaixo apareceu no capítulo 6. Estava numa oficina de pintura e apareceu como um paciente real. Interagiu com a Totia Meirelles que, por sinal, tem sido maravilhosa nas cenas com os clientes: acolhedora, tranquila, afetiva...
Na segunda feira seguinte, ele chegou para trabalhar no supermercado PREZUNIC e... Foi um sucesso... Chamado por todos de Helton Maravilha... Nome com o qual se apresentou na cena... Reconhecido como ator da Globo e Sambista. O fato de ter aparecido como uma pessoa que tem transtorno mental não foi o que marcou sua rápida aparição na novela.
Hoje me ligou minha sócia. Temos um cliente cuja filha reside em uma das moradias assistidas que gerenciamos. É uma jovem linda e esquizofrênica. O pai recebe um reembolso de sua empresa para custear as despesas da moradia. A empresa não aceita fazer o reembolso integral. Minha sócia argumentava, quando a moça da empresa comentou sobre a novela. Minha sócia enfatizou o sofrimento da doença e as dificuldades das famílias. A moça comentou que gostaria de conhecer a moradia e vamos marcar uma visita! Talvez nosso cliente consiga ter o seu reembolso integral...
Vamos seguir assistindo, acompanhando tudo o que acontece... Desde já, de fato, começo a perceber um movimento deveras interessante!
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Os Dados do Estigma
domingo, 11 de janeiro de 2009
Festa Também É Inclusão!
